"...E seguiram viagem para o Norte, Raneibeibe montando Carlinhos e Gneomúnades correndo de uma maneira engraçada atrás, rumo a/ao...
...Desfiladeiro das almas sussurrantes, pois segundo o anão era o jeito mais ‘seguro’ de passar, pois os traficantes de marfim, que vinham da terra dos lagartos, temiam a guardiã do poço da verdade.
- Quem é essa guardiã? – Perguntou Raneibeibe já iniciando a descida do desfiladeiro.
- É uma feiticeira muito velha que toma conta do poço que contem todas as verdades do mundo. Quem se aproxima do poço e erra a pergunta feita pela velha, terá um fim trágico. Mas não precisamos ter medo, pois não tentaremos saber verdade nenhuma, iremos passar direto...
*Oito pilhas um real!* Disse uma voz trazida pelo vento. Como a garota procurava pela voz, Gneomúnades explicou:
- É a voz de uma das almas que não conseguiram fazer a passagem para o mundo de Raraides, Sr. Dos Mortos. Não pare! Vamos continuar a descer.
*Banana podre!!*, *Promete não soltar a escada?*, *Quem tem um tem medo!*, *Quem é o leão do papai?*. Muitos outros sussurros os acompanharam durante a descida.
Então, uma luz azulada e tremeluzente chamou a atenção, primeiro de Carlinhos, depois de sua montadora, ambos ficaram maravilhados como em um transe. O elefante seguiu em direção àquela maravilha.
- Parem!! Este é poço da verdade!! – Gritou o anão. Que imediatamente foi suspendido por uma mão ossuda surgida do nada.
- Eu tenho duas laranjas, ganhei mais uma. Quantas laranjas eu tenho? – Perguntou a velha, que era praticamente osso e pele, que por sinal muito enrugada, seus cabelos rareados, tinham uma cor branco encardido, assim como seus olhos. Um cheiro de podridão tomou conta do ambiente.
- Três! – Respondeu o pequeno, que se debatia inutilmente nas garras da feiticeira.
- Idiota, está vendo alguma laranja aqui?! E quem haveria de me dar laranja, se meus amigos já morreram há séculos?! A resposta é zero...
A velha mordeu o minúsculo pescoço branco como a neve, sugando-lhe todo o sangue. Ela pareceu rejuvenescer alguns dias. Jogou a carcaça anã para um lado, virou-se para menina e apontou seu dedo seco, lançando sua pergunta mortal:
- Eu tenho cinco túnicas, se eu te der uma, você vende quatro para mim?”